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:: UMA JANELA PARA A VIDA ::


 RELACIONAMENTO NÃO É SÓ SENTIMENTO

Como sugeri no texto anterior, disponibilizo a poesia do Guilherme Arantes para que você reflita sobre o pragmatismo da relação amorosa-familiar.

 

O Lado Prático do Amor

Guilherme Arantes

Composição: Guilherme Arantes

Eu logo ví
Que dá trabalho em dôbro
Ficar sem você
Me acostumei
Com todos os confortos
Que a gente se deu

Até esqueci
O que é voar
Sem piloto automático
Até entendi
Do amor
O lado prático
O lado prático

Tudo o que eu fiz
Contando com seu ombro
Já não faço mais
E as soluções
Não vêm tão facilmente
Detalhes gerais

Até esqueci...

Perder você
É ganhar mais um problema
Ter que me virar
Esquecer você
É lembrar de toda a barra
Que tem pra segurar



Escrito por Abel Duarte às 11h07
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UM BOM CASAMENTO AJUDA A TER UMA BOA SAÚDE

Ótima reportagem da site BBC fala dos prejuízos de uma separação conjugal. Sugiro ainda ao leitor escutar a música " O lado prático do amor", do mestre Guilherme Arantes

Divórcio prejudica saúde por longo tempo, diz estudo

Pesquisa sugere que pessoas que se separaram têm mais tendência de desenvolver doenças crônicas.

Da BBC



O divórcio tem efeitos nocivos e duradouros na saúde dos envolvidos que mesmo um novo casamento não consegue reparar, afirma um estudo americano.


A pesquisa da Universidade de Chicago foi feita com dados de 8.652 pessoas com idades entre 51 e 61. O estudo apontou que entre os divorciados a incidência de doenças crônicas, como câncer, era 20% maior do que entre pessoas que nunca casaram.


O índice cai para 12% entre aqueles que casaram novamente, afirma o estudo publicado na revista científica "Journal of Health and Social Behavior".


Os pesquisadores afirmam que as pessoas começam a vida adulta com uma "quantia de saúde" que se mantém ou diminui de acordo com a experiência matrimonial de cada um.


A pesquisa sugere que as pessoas que são casadas continuamente podem ter o mesmo índice de doenças crônicas do que as pessoas que nunca casaram.


Apesar de as pessoas que casam novamente depois de um divórcio ou de se tornarem viúvas tendem a ser mais felizes do que antes, isso não diminuiria a suscetibilidade delas a doenças crônicas.


A socióloga da Universidade de Chicago Linda Waite, que conduziu o estudo, disse que o divórcio ou a viuvez afetam a saúde porque a renda cai e há mais estresse devido às discussões sobre custódia dos filhos.


  Estresse

A pesquisadora sugere que casamentos trazem benefícios imediatos de saúde, por estimular comportamentos saudáveis em homens e bem-estar financeiro para mulheres, mas que casamentos após divórcios não têm necessariamente os mesmos efeitos.


"Algumas situações de saúde, como depressão, parecem responder rapidamente e fortemente a mudanças nas condições atuais", diz Waite.


"Por outro lado, condições como diabetes e doenças cardíacas desenvolvem-se lentamente durante um período substancial e revelam o impacto de experiências passadas, que é o motivo pelo qual a saúde é afetada pelo divórcio ou viuvez, mesmo quando a pessoa casa novamente."


Outros pesquisadores que não participaram do estudo comentaram os resultados.


A pesquisadora Anastásia de Waal, do instituto Civitas, disse: "Esta pesquisa sublinha o fato de que enquanto o divórcio se tornou muito mais comum, ele pode ter um tremendo impacto não só emocional e financeiro, mas também na saúde da pessoa".


Christine Northan, do instituto Relate, disse: "Eu não estou surpreso com os resultados. É outro motivo para se trabalhar bastante para fazer com que os casamentos funcionem, a não ser que as relações sejam bastante destrutivas".

 



Escrito por Abel Duarte às 10h44
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BLACK OR WHITE ?

Comecei a ouvir Michael Jackson quando eu ainda era adolescente. "One day in your life", " Ben", " Happy". Confesso que gostava mais dele menino. Mas o menino que nunca virou adulto cresceu, viveu(?) e morreu. Cheio de ambiguidades....

Li essa crônica genial do Belloto sobre o ser artisticamente genial e humanamente fragilíssimo. Compartilho com vocês.

Free at last!

  Do ser mitológico diz-se que nasceu em meados do século XX. E que, tendo nascido homem, foi aos poucos transformando-se numa mulher. No fim, tornou-se um ser de aspecto hermafrodita, com sexualidade indefinível. Sabe-se que o ser mitológico nasceu negro e morreu branco. Foi, na infância, um adulto: compromissos profissionais, responsabilidades, obrigações e pressão foram experimentados desde cedo em doses altas. Na maturidade, tornou-se uma criança: gostava de brincar, passear em carrosséis e montanhas russas, ter crianças por perto e jamais compreendeu exatamente do que se tratava o tal  "mundo dos adultos".

Do ser mitológico diz-se que foi acusado de abusar sexualmente de crianças, o que nunca se comprovou. O que se sabe com certeza é que foi brutalmente espancado pelo pai, na infância, e submetido por este a tortura e pressão psicológicas. É comprovado que durante sua existência o ser mitológico ajudou crianças pobres e doentes, não só com dinheiro, mas com carinho e compreensão verdadeiros. Com essas crianças comunicava-se da mesma forma com que são Francisco de Assis conversava com passarinhos.

Do ser mitológico compreende-se que revolucionou a música pop mundial ao elevar a música negra (é importante lembrar: não importa quantas transformações e mutações tenha o ser sofrido em sua existência, ele nunca deixou de ser um grande, talvez o maior, artista da música negra norte-americana) a um status nunca antes alcançado: qualidade musical irresistível, ousadia de produção, competência e muito - muuuiiito - suingue.

Quincy Jones, músico, maestro e arranjador de excepcional talento, ajudou o ser mitológico nessa jornada. Do ser mitológico aceita-se que tinha habilidades múltiplas - dançava, cantava e compunha como poucos - e que com elas conseguiu apaixonar pessoas do mundo inteiro, independente de suas raças, classes sociais, nacionalidades, religiões, crenças etc.

Dele compreende-se que foi coroado rei pelos humanos e amado por estes como um anjo. A morte chegou-lhe como alívio, inadaptado que era ao mundo estranho que o amou e não o compreendeu. Na morte sabe-se que a imprensa, que o criticara impiedosamente nos últimos anos de vida - e tanta atenção dera a suas bizarrices, idiossincrasias e excentridades - acabou por reconhecer que o que prevalecerá de seus feitos será tão somente a brilhante música que concebeu, cantou e dançou.

Diz-se por fim que, ao morrer, o ser mitológico livrou-se do corpo que era ao mesmo tempo depósito de dons e talentos e também de dores e sofrimentos. E que se lembrou, no último instante de vida, da frase do discurso de um grande e admirável conterrâneo: free at last!

 CD...
.... Off The Wall, de 1979, o primeiro disco da fase adulta do ser mitológico, e primeira parceria com o produtor Quincy Jones. Está tudo ali: a riqueza da música negra, desenvolvida em décadas de trabalho por gravadoras como a Motown - e a mistura com elementos de rock e pop. É um disco que aprendi a amar graças a minha mulher, Malu - a quem dedico esta crônica -, uma das maiores devotas de Michael Jackson de que se tem notícia. Ela já passou essa paixão aos nossos filhos, também admiradores do grande músico negro norte-americano.



Escrito por Abel Duarte às 14h14
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DIGNIDADE NOS MOMENTOS DIFÍCEIS.

Transcrevo abaixo bela carta do coach Rene Simões, escrita quando soube da sua demissão do Fluminense após ter vencido ( isso mesmo, vencido!) uma partida por 3 x 0. A grandeza (ou pequenez) dos seres humanos se revela nos momentos de grandes impactos emocionais. 

 

 Publicada em 7/3/2009 às 19:24

René Simões publica carta ao torcedor tricolor

Treinador expõe seus sentimentos e analisa sua saída do Fluminense

René Simões se despediu de forma oficial da torcida tricolor

René Simões se despediu de forma oficial da torcida tricolor (Crédito: Cléber Mendes)

LANCEPRESS!

Como parte de sua característica, o técnico René Simões, por intermédio de sua assessoria de imprensa, escreveu uma carta ao torcedor do Fluminense analisando sua passagem pelo clube, sua saída do Tricolor e expôs seus sentimentos com relação a demissão. Leia à íntegra:


"Caro torcedor Tricolor,

“Tanto sei estar humilhado, como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura, como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso Naquele que me fortalece.” Colossenses 1, 12-13

A vida de um treinador precisa ser regrada por princípios fundados em palavras como as do Apóstolo Paulo. Uma vitória ou uma derrota faz a diferença para a gangorra de sentimentos e demonstrações que a paixão pelo futebol desperta. Como homem, pai e treinador de pessoas, eu sempre enfatizei que o importante é saber quem você é e o que fez, independente do que outros possam pensar ou dizer, pois sempre haverá criticas e opiniões contrárias.

No dia-a-dia, nossas decisões são sempre questionadas, principalmente quando mexem diretamente com a paixão nacional. O importante é termos consciência que fizemos o nosso melhor, de forma digna e correta.

Você, torcedor, tem 90 minutos para avaliar e formar suas opiniões. Infelizmente esse tempo nem sempre reflete todo o trabalho e a preparação feitos durante semanas, meses. Mas, no futebol, o que vale são os jogos e seus resultados.

Por ser uma paixão, muitos esquecem que o futebol gira em torno de seres humanos. Pessoas suscetíveis a erros, fraquezas, influências, dias bons e ruins. Jogador, treinador, comissão e diretoria não são sempre perfeitos. Somos todos passíveis de erros e de acertos, somos todos parte da condição humana.

Quisera eu que vocês pudessem um dia participar de todo o processo de preparação, treinamento, escalação, preleção, vestiário, substituições, entre outros. Talvez pudessem entender um pouco melhor as razões por trás das decisões e fatos. Talvez a casa do Luxemburgo não fosse pixada e ele não fosse agredido no aeroporto. Talvez o Felipão não fosse demitido. Talvez o treinador não variasse sempre de herói a vilão (burro) com tanta facilidade. Talvez os treinadores tivessem mais tempo dentro dos clubes para desenvolverem seus trabalhos. Talvez alguns jogadores não fossem tão criticados.

Nunca fui demitido após uma vitória, mas já sabia que a demissão poderia acontecer. Certas decisões não precisam ser entendidas, porém sempre respeitadas.

Saio do Fluminense deixando-o melhor do que o encontrei. Hoje o time está na primeira divisão, classificado para a segunda fase da Copa do Brasil, tendo chegado à semifinal da Taça Guanabara, classificado para a Sul-americana, com um elenco que não mostrou todo seu potencial, mas que o tem de sobra e com mais uma grande contratação chegando.

Saio com 11 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Acima de tudo, saio de cabeça erguida, com a convicção que nunca comprometi meus princípios, que não recebi interferências para escalar o time da forma como julguei melhor, que me responsabilizei pelos meus erros publicamente e que corrigi os erros alheios nos bastidores. Saio pela porta da frente, sem rancores e desejando muita sorte ao Parreira, que é um grande profissional e que com certeza fará um belo trabalho à frente do Tricolor.

Usando mais uma vez as palavras do Apóstolo Paulo, que diz em Tessalonicenses 5, 18 “em tudo dai graças”. Quero aproveitar para agradecer a todos no Fluminense que acompanharam a jornada que eu, Alfredo, Chico e Edinilson traçamos. Foi um grande prazer trabalhar com os profissionais que encontramos ali e muitos deixarão saudades de um momento único. Agradeço também aos torcedores que mostraram seu apoio a mim e principalmente ao time, nos momentos bons e nos ruins.

Que Deus abençoe todos.

René Simões"



Escrito por Abel Duarte às 13h31
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O Futuro Envelheceu

Transcrevo  texto abaixo do Tony Belotto, que além de grande músico é também bamba na arte da reflexão.

A Cidade dos Velhos

Quando eu era criança, no começo dos anos 70, diziam que o Brasil era o país do futuro. Jovens alardeavam campanhas patrióticas em plena ditadura militar, jovens que serão os adultos no amanhã cheio de prosperidade. Até hoje espero aquele amanhã que nunca chegou. Olho pela janela do meu escritório, espreito a rua lá embaixo, onde andarão todos aqueles jovens esperançosos e iludidos do passado, meus companheiros, hoje homens e mulheres de meia-idade? Leio numa folha de jornal perdida na bagunça que nossa população começará a decrescer em 2039. A essa altura, além de uma população em pleno processo de encolhimento, já seremos um país de velhos. Para se ter uma idéia, a previsão é de que em 2050 as crianças correspondam a 13% da população, e os idosos, a 22%.

A tendência, irreversível, é a de que sejamos cada vez mais um país de velhos. O avanço da medicina, além de técnicas e políticas de controle de natalidade garantirão a supremacia dos idosos na população. Como idosos têm pouca ou nenhuma capacidade de reprodução, imagino um quadro sombrio de ficção científica: o Rio de Janeiro no futuro, já semi-encoberto pelas águas do aquecimento global, habitada por velhos preocupados com sua própria segurança e bem-estar, onde não mais se escutará o choro dos bebês, os risos das crianças e os gritos dos jovens.

Apenas a vida asséptica de velhos senhores e senhoras a passear comedidos pelas praças, a jogar vôlei nas praias, a caminhar sem medo pelas ruas desertas de juventude. A violência urbana já estará devidamente controlada. A maioria dos criminosos era composta de jovens, lembra? Restará o silêncio apenas, e a tranqüilidade de velhos pacíficos à espera da extinção. Paro de pensar no meu sombrio conto de ficção científica - A Cidade dos Velhos -, e volto a olhar pela janela, em busca dos jovens do meu passado, os velhos de amanhã. Não vejo ninguém. Apenas alguns garotos batendo bola na rua e uma babá passeando com um bebê que dorme tranqüilamente no carrinho. Ufa.



Escrito por Abel Duarte às 14h14
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INCONFORMAÇÃO

Pesquei de um amigo a pérola abaixo, escrita por uma das minhas principais referências de vida

"Prefiro tentar e falhar, do que me conformar e ver a vida passar.
Prefiro tentar, ainda que em vão, do que sentar me e fazer nada ate o final.
Prefiro num dia triste na chuva caminhar, do que em casa me esconder.
Prefiro ser feliz, embora louco, do que em conformidade viver."

-Martin Luther King

Escrito por Abel Duarte às 10h56
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MUSICOTERAPIA

Recentemente em um dos meus locais de trabalho, um chefe intermediário resolveu proibir os empregados de ouvir música sob a justificativa que tal prática atrapalha (!) a produtividade. Resolvi pesquisar o assunto para provar que dependendo da música que se escuta, o efeito é justamente o oposto. Leia o texto abaixo, colhido no site da BBC e tire suas próprias conclusões...

Cirurgião pianista estuda efeito da música na cura
David Dobbs
Para Claudius Conrad, 30, música e medicina estão interligadas. Ele é cirurgião e toca piano seriamente desde os cinco anos de idade, e as duas coisas estão unidas, do plano acadêmico à destreza manual requerida tanto no comando do instrumento quanto diante de uma mesa de cirurgia. "Caso eu passe mais de dois dias sem tocar", diz Conrad, que está no terceiro ano do programa de residência cirúrgica da Escola de Medicina de Harvard e é doutor em biologia celular e em filosofia da música, "não consigo sentir as coisas tão bem na cirurgia. Minhas mãos são menos suaves no contato com os tecidos; são menos sensíveis ao retorno sensorial que os tecidos do corpo oferecem".
Como muitos cirurgiões, Conrad diz que trabalha melhor ouvindo música. E menciona estudos, alguns dos quais conduzidos por ele mesmo, segundo os quais a música também beneficia os pacientes: gera relaxamento e reduz a pressão sangüínea, o batimento cardíaco, os hormônios de estresse, a dor e a necessidade de medicamentos analgésicos.
Mas, se a música tem mesmo um efeito de cura, de que maneira este se manifesta? Os percursos fisiológicos responsáveis continuam obscuros, e a busca por um mecanismo subjacente vem avançando com lentidão. Agora, Conrad está tentando mudar essa situação. Recentemente publicou um estudo provocante no qual sugere que a música pode exercer efeito curativo e sedativo em parte por meio de um estímulo paradoxal a um hormônio de crescimento em geral associado mais ao estresse do que a curas.
Esse salto na presença do hormônio de crescimento, disse o Dr. John Morley, endocrinologista no Centro Médico da Universidade de St. Louis e que não participou do estudo, "não é o que seria de esperar, e não está claro exatamente o que signifique".
Mas, ele afirma que o fator suscita "algumas possibilidades novas e maravilhosas quanto à fisiologia da cura", e acrescenta que "além disso oferece também um metáfora interessante. Nós costumamos nos referir ao sistema neuro-endócrino como uma espécie de maestro da orquestra neurológica, comandando o trabalho do sistema imunológico. E nesse caso temos a música servindo de estímulo a esse condutor, a fim de dar início ao processo de cura".
Recentemente, Conrad decidiu se concentrar nos mecanismos específicos que podem ajudar a explicar os efeitos da música sobre o corpo. Em estudo publicado em dezembro pela revista Critical Care Medicine, ele e colegas revelaram um elemento inesperado na resposta fisiológica de pacientes em crise à música: um salto no hormônio pituitário de crescimento, cujos efeitos sobre a cura são entendidos como cruciais. "É uma espécie de aceleração", ele afirma, "que produz um efeito calmante".
O estudo foi bastante simples. Os pesquisadores equiparam 10 pacientes pós-cirúrgicos em tratamento em unidades de terapia intensiva com fones de ouvido, e na hora imediatamente posterior ao fim do efeito dos sedativos sobre o organismo, cinco deles ouviram versões delicadas, em piano solo, de composições de Mozart, enquanto outros cinco não ouviam música.
Os pacientes que ouviram música demonstraram diversas respostas já esperadas por Conrad com base em outros estudos: uma redução na pressão sangüínea e no ritmo cardíaco, menos necessidade de medicamentos contra a dor e uma queda de 20% na produção de dois importantes hormônios de estresse, a epinefrina e a interleuquina-6, ou IL-6. Em meio às respostas esperadas surgiu a nova constatação do estudo: um salto de 50% na produção do hormônio de crescimento pituitário.
Ninguém que tivesse conduzido esse tipo de estudo havia medido a produção de hormônios do crescimento, cujas tarefas incluem promover o crescimento, responder a ameaças contra o sistema imunológico e promover curas. Conrad incluiu essas avaliações porque as pesquisas nos últimos cinco anos demonstram que a produção de hormônios de crescimento em geral cresce em momentos de estresse e cai em momentos de relaxamento.
"Isso significa que seria de esperar uma queda no hormônio de crescimento nesse caso, como aconteceu com a epinefrina e a IL-6", disse Morley. "Mas, o hormônio de crescimento aumentou, no estudo em questão". Ele acrescentou que "a questão é determinar se o salto no hormônio de crescimento de fato promove o efeito sedativo ou é parte de alguma outra coisa que esteja em curso".
Conrad argumentou que o hormônio de crescimento tem efeito sedativo. Ele cita em seu estudo uma pesquisa de 2005 segundo a qual o fator de liberação do hormônio de crescimento, um mensageiro químico que essencialmente conclama o hormônio de crescimento a agir, reduzia a atividade da IL-6. Isso sugere, disse ele, que o hormônio de crescimento em si poderia reduzir os níveis de IL-6 e de epinefrina, que produzem inflamações as quais, de sua parte, causam dor e elevação da pressão sangüínea e do batimento cardíaco.
Nem todos os pesquisadores do estresse acolhem a hipótese positivamente. "As duas dinâmicas não são necessariamente a mesma", disse o Dr. Keith Welley, endocrinologista na Universidade do Illinois em Urbana-Champaign e especialista em respostas inflamatórias. "Eu pessoalmente não acredito no mecanismo celular que ele propõe como hipótese".
Para Conrad, a descoberta oferece uma espécie de elegância que combina ciência e música: o estudo parece apontar para um paralelo hormonal à capacidade da música para excitar e relaxar.
Conrad diz que espera expandir seu estudo dos efeitos da música sobre a produção de hormônio do crescimento a pacientes em tratamento intensivo. Ele também está preparando estudos mais ou menos semelhantes sobre o efeito da música no desempenho dos cirurgiões.



Escrito por Abel Duarte às 21h32
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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E LONGEVIDADE

É muito bom ouvir pesquisadores afirmando que ser bom tem reflexos na nossa saúde e consequentemente na nossa longevidade. Via de regra os bons, ao contrário do que é dito (os bons morrem cedo), vivem mais e melhor. Então, multipliquemos nossa generosidade para termos mais tempo para viver a vida com toda intensidade que ela deseja...

Médico defende que amar e fazer o bem ajudam a viver mais
Plantão | Publicada em 23/05/2008 às 14h27m
EFE
HAVANA - Fazer o bem e amar estão entre os segredos da longevidade dos cubanos para ultrapassar os 100 anos - idade a que, segundo o médico cubano Eugênio Selman, presidente da Associação Médica do Caribe, Eugênio Selman, pode-se chegar "sem grandes esforços e sacrifícios. O médico, de 78 anos, acaba de lançar o livro "Como viver 120 anos" durante o VI Congresso Internacional de Longevidade Satisfatória.
Segundo ele, a atitude da pessoa é determinante e que o cérebro é decisivo no controle das enfermidades. Em 2003, o médico criou o Clube dos 120 anos, que acolhe pessoas de qualquer idade ou nacionalidade que desejam ter uma longevidade satisfatória. Fumantes e pessoas sem ética não são aceitas por ele.
Cuba, com mais de 11 milhões de habitantes tem uma perspectiva de vida de 77,8 anos, porém tem mais de 1.700 pessoas com mais de cem anos, em sua maioria mulheres.



Escrito por Abel Duarte às 17h27
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O AMARGO SABOR DO SUCESSO

Assisti uma entrevista com Elton John e seu parceiro musical Ernie Kovacs. Afirmam que quando atingiram o sucesso mundial, perceberam como este era sem sentido e sentiram saudade do tempo em que eram anônimos. Na verdade, nunca quiseram largar o sucesso, mas vale a pena conferir a letra desse megasucesso dos anos 70, onde retratam a frustração legada pela fama.
Confira...

Goodbye Yellow Brick Road


Quando você vai descer?
Quando você vai aterrissar?
Eu devia ter permanecido na fazenda,
Eu devia ter ouvido meu velho pai...

Você sabe que não pode me segurar eternamente,
Eu não assinei [contrato] com você.
Eu não sou um presente para seus amigos abrirem,
Este rapaz é jovem demais para estar cantando as tristezas.

Então adeus, estrada dos tijolos amarelos,
Onde os cães da sociedade uivam.
Você não pode me plantar na sua cobertura do apartamento,
Estou voltando para o meu arado.

De volta para a velha coruja que uiva na mata,
Caçando o sapo de dorso áspero.
Eu finalmente decidi que meu futuro jaz
Adiante da estrada dos tijolos amarelos.

O que você pensa que fará então?
Eu aposto que derrubará seu avião.
Você vai precisar de um pouco de vodka e tônico
Para te ajudar a se recuperar novamente...

Talvez você consiga um substituto,
Existem muitos como eu para serem encontrados,
Vira-latas que não têm um centavo,
Fuçando por petiscos como você pelo chão.

Então, adeus estrada dos tijolos amarelos,
Onde os cães da sociedade uivam.
Você não pode me plantar na sua cobertura,
Estou voltando para o meu arado.

De volta para a velha coruja que uiva no mato
Caçando o sapo de dorso áspero.
Eu finalmente decidi que meu futuro jaz
Adiante da estrada de tijolos amarelos.

Escrito por Abel Duarte às 00h24
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EXISTE UMA IDADE PARA SER MAIS FELIZ?

O Site da BBC publicou uma pesquisa feita com os americanos, que demonstra o fato de que eles são mais felizes à medida em que envelhecem. Isso contraria toda a lógica que sustentou a idéia de que felicidade estaria ligada a beleza e a juventude. Leia o texto abaixo e tire suas próprias conclusões.

Americanos ficam mais felizes com a idade, diz pesquisa

Americanos têm boas chances de felicidade depois dos 80 anos
Uma pesquisa da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, sugere que os americanos ficam mais felizes à medida que ficam mais velhos.
O estudo também aponta que a geração nascida entre 1946 e 1964 é menos feliz do que as outras, afro-americanos são menos felizes do que os americanos brancos, homens são menos felizes do que as mulheres e o nível de felicidade pode aumentar ou diminuir entre gerações.
"O entendimento da felicidade é importante para compreender a qualidade de vida", afirma Yang Yang, professora-assistente de Sociologia da Universidade de Chicago e autora do artigo. "A medida da felicidade é um guia que mostra como a sociedade está lidando com as necessidades das pessoas."
Os dados para a Pesquisa Social Geral, do Centro Nacional de Pesquisa de Opinião dos Estados Unidos, começaram a ser compilados em 1972, e o estudo durou até 2004.
Os pesquisadores fizeram a pergunta: "Levando tudo em conta, como você diria que está atualmente: muito feliz, feliz ou não está feliz?"
A pergunta foi feita em entrevistas conduzidas pessoalmente em amostras de população que variavam entre 1,5 mil e 3 mil pessoas.
Grupos raciais e idade
Yang organizou os dados em grupos raciais e de idade e observou que, na faixa etária dos 18 anos, as mulheres brancas são as mais felizes (33% de probabilidade de serem muito felizes). Em seguida, aparecem os homens brancos (28%), mulheres negras (18%) e homens negros (15%).
As diferenças desaparecem com o passar do tempo, e o nível de felicidade aumenta.
Homens e mulheres negros têm mais de 50% de chances de serem muito felizes depois de completar 80 anos. Homens e mulheres brancos ficam logo atrás.
Segundo a professora, o aumento no nível de felicidade com a idade é compatível "com a hipótese da idade como fator de maturidade".
Com a idade, chegam também alguns traços psicossociais, como integração e auto-estima. Estes sinais de maturidade podem contribuir com um melhor senso geral de bem-estar, de acordo com a pesquisadora.
Para Yang, outro fator a ser levado em conta, segundo a pesquisa, é que a diferenças entre os grupos nos níveis de felicidade diminuem devido à equiparação dos recursos que contribuem para a felicidade, como o acesso à saúde ou à perda de apoio social devido à morte de marido ou esposa, ou à morte de amigos.
Expectativas
A pesquisa também indica que, entre as faixas etárias estudadas, a geração de americanos nascida entre 1946 e 1964 é a menos feliz.
"Provavelmente, isso acontece devido ao fato de que a geração como um grupo é tão grande, e suas expectativas eram tão altas, que nem todos neste grupo puderam conseguir o que queriam, devido à competição", afirma Yang. "Isso pode levar à decepção e prejudicar a felicidade."
A professora da Universidade de Chicago também observou que a felicidade nos Estados Unidos não é estática.
Ao analisar o período de 33 anos, durante o qual a pesquisa foi realizada, Yang notou pequenos aumentos nos níveis de felicidade quando a economia do país progredia.
Como exemplo, a professora cita o ano de 1995 como um ano muito bom na escala de felicidade nos Estados Unidos.




Escrito por Abel Duarte às 22h03
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O CORAÇÃO ESTÁ CADA VEZ MAIS EMOCIONADO!!!
Há milênios, a sabedoria popular e mesmo a filosofia, atribuíaM às emoções uma relação direta com o coração. Finalmente a ciência conseguiu constatar tal verdade. Veja abaixo a reportagem que a revista ISTOÉ publicou sobre o assunto, na sua edição de 31 de Março de 2008.

O PODER DAS EMOÇÕES SOBRE O CORAÇÃO

Alegria, raiva, tristeza, ansiedade, paixão. A ciência começa a explicar como os sentimentos podem proteger ou piorar a saúde cardíaca

Por CILENE PEREIRA Colaborou Mônica Tarantino


Segundo Bacal, bons sentimentos ajudam na fabricação das protetoras endorfinas

O coração é o símbolo das emoções. É como se todos os nossos sentimentos por ele passassem e nele deixassem suas marcas, as boas e as ruins. Milenar, essa concepção tem servido de matéria-prima para os poetas ao longo da história. Agora, a ciência está mostrando que a influência das emoções sobre o coração vai muito além da beleza da poesia. Novas pesquisas começam a revelar que amor, raiva, alegria, irritação, tristeza e toda a vasta gama de sentimentos experimentada pelo ser humano promovem modificações orgânicas de tal dimensão que podem contribuir de maneira decisiva para o vigor ou a falência do órgão. Pela primeira emovez, essas descobertas dão as pistas do real peso das emoções sobre a saúde cardíaca. E forma-se pelo mundo uma corrente de especialistas que defende a inclusão de sentimentos como ansiedade e depressão na lista dos fatores de risco para males cardiovasculares. Eles estariam ao lado do colesterol, da hipertensão, do sedentarismo e de outras ameaças conhecidas.
SUELI MARQUES BALBINO PONTE
No ritmo certo
A secretária Sueli Balbino Ponte, 52 anos, enfrentou fortes sintomas de síndrome do pânico por mais de 20 anos. “Era assustador. Sentia um aperto no coração e ele batia de um jeito que parecia que ia sair pela boca. Cheguei a pensar que morreria”, relembra. Ela já não saía mais de casa quando foi se tratar na Universidade Federal de São Paulo. “Fiz terapia e sessões de biofeedback, um exame que ajuda a entender como o corpo e o coração reagem às emoções”, conta. “Também aprendi exercícios de respiração para controlar a ansiedade e os batimentos cardíacos. Recuperei minha qualidade de vida”, conta Sueli.

O risco da ansiedade
Empiricamente, médicos e cientistas intuíam, há décadas, que os sentimentos tinham um papel na manifestação das enfermidades cardíacas. Eles baseavam suas inferências nas observações que faziam da evolução dos pacientes, que podia ir melhor ou pior de acordo com o estado emocional. Há cerca de cinco anos, porém, começaram a surgir os primeiros estudos mais consistentes confirmando a associação entre a mente e o coração. Hoje, os trabalhos sobre o tema se multiplicaram e apresentam resultados tão coincidentes quanto preocupantes. Tome-se como exemplo os mais recentes. Na edição de janeiro do jornal do Colégio Americano de Cardiologia - uma das entidades mais importantes da área - está publicado um artigo revelando que a exposição crônica à ansiedade e aos outros sentimentos a ela conjugados, como o medo, eleva em 30% a 40% a chance de um indivíduo saudável sofrer um infarto. "O risco que constatamos diz respeito somente à ansiedade. Está além do que poderia ser explicado pela pressão arterial, obesidade, pelo fumo ou outros fatores", explicou à ISTOÉ Biing-Jiun Shen, coordenador do trabalho e professor de psicologia da University of Southern California, onde o estudo foi realizado. As conclusões foram baseadas em avaliações feitas em 735 homens saudáveis, acompanhados durante 12 anos.

Outros trabalhos intrigantes dizem respeito ao papel da depressão. Há três meses, médicos do departamento de psiquiatria da Universidade de Colúmbia (EUA) divulgaram estudo no qual mostram que a doença praticamente triplica o risco de morte após um infarto. E no início do mês, cientistas de instituições americanas reconhecidas mundialmente, como Universidade de Harvard, de Yale e da Clínica Mayo, publicaram um artigo no Journal of Affective Disorders revelando que os efeitos negativos da doença sobre o coração permanecem mesmo após cinco anos. "Achávamos que a influência era mais forte até os primeiros seis meses depois do infarto. Mas não foi isso o que descobrimos", explicou Robert Carney, professor da Universidade de Washington e líder do estudo.

As investigações sobre o impacto da presença concomitante de ansiedade e depressão são ainda mais assustadoras. É possível ter uma idéia de quanto essa combinação pode ser uma bomba para o coração a partir de trabalhos como o da Universidade de Montreal, no Canadá, publicado na edição de janeiro do Archives of General Psychiatry. Após entrevistar 804 portadores de doença coronariana sob controle, os cientistas verificaram que aqueles que se mostravam ansiosos e depressivos apresentavam o dobro de possibilidade de sofrer um novo infarto em comparação aos que não manifestavam as mesmas emoções. Mas há outros dados preocupantes na pesquisa. "Descobrimos também que os pacientes cardíacos são mais depressivos e ansiosos do que a população em geral", contou à ISTOÉ Nancy Frasure Smith, coordenadora do trabalho.

Do cérebro ao músculo cardíaco
Ao mesmo tempo que crescem as evidências da atuação dos sentimentos sobre o coração, aumentam as investigações para elucidar de que maneira eles interferem no mecanismo cardíaco. Trata- se de uma pesquisa refinada, que se vale das ainda não muito numerosas informações sobre como se dão as ligações entre o cérebro, onde os sentimentos são processados, e o coração. Por enquanto, o que se sabe é que as emoções, tanto as boas quanto as ruins, disparam no cérebro dois processos. "O primeiro é o envio de sinais elétricos ao músculo cardíaco, via sistema nervoso. Isso vai repercutir no ritmo dos batimentos", explica Ricardo Monezi, professor de fisiologia do comportamento da PUC/SP e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo. "O segundo é a produção de uma cascata de substâncias químicas que terão impacto em várias estruturas do coração", afirma.

Embora os caminhos sejam os mesmos, as repercussões irão variar de acordo com a natureza da emoção. Até este momento, conhece-se mais o que ocorre quando elas são negativas. Irritação, mágoa e tristeza, por exemplo, causam a redução do calibre dos vasos sangüíneos, provocando a elevação da pressão arterial. Também há aumento da freqüência cardíaca. Só estes dois fatores já obrigam o músculo cardíaco a trabalhar mais. E se essa situação se torna crônica, o desgaste fica maior.

Síndrome do coração partido
Entretanto, há mais complicações que só agora começam a ser identificadas. Uma delas foi revelada há um mês por cientistas da Indiana University- Purdue University Indianapolis (EUA). Eles foram responsáveis por uma pesquisa que comprovou pela primeira vez que sentimentos de hostilidade e depressão aumentam a produção de duas substâncias inflamatórias, a interleucina-6 e a proteína C-reativa. Isso é péssimo para o coração. Hoje, a aterosclerose, doença caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, já é conceituada como uma enfermidade inflamatória. Isso porque se acredita que a inflamação tenha um papel-chave no desenvolvimento do problema. "Por isso, a circulação de grandes quantidades de substâncias inflamatórias contribui para agravar a doença", explicou à ISTOÉ Jesse Stewart, coordenador da pesquisa.

Um dos fenômenos que mais têm chamado a atenção dos médicos, porém, é a ocorrência da chamada síndrome do coração partido. Trata-se de um problema singular e diretamente relacionado às emoções: ele atinge indivíduos sem fator de risco tradicional, mas submetidos a sentimentos negativos de forma crônica ou aguda. Mesmo sem uma artéria obstruída por placas de gordura, por exemplo, o paciente sofre os sintomas de um infarto, como dor no peito, e acaba apresentando um espasmo nas artérias coronárias, as que irrigam o coração, além de ficar com o músculo cardíaco dilatado.

Proteção garantida
Os primeiros casos começaram a ser registrados há cerca de dez anos. Hoje, há registros em todo o mundo, inclusive no Brasil. O tratamento é o mesmo dado a casos de infarto, mas sem a necessidade de desobstrução das artérias. Entre os medicamentos indicados estão os betabloqueadores. "Eles blindam o coração da descarga de adrenalina que ocorre nessas situações", explica o cardiologista Marcelo Paiva, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. A adrenalina é liberada em situações de prolongada exposição a sentimentos negativos ou durante explosões de raiva, por exemplo. E em grande parte é ela a responsável pelos efeitos prejudiciais desses sentimentos. Bastar saber que é a adrenalina que, entre outras coisas, causa o estreitamento do calibre dos vasos sangüíneos. Por isso a razão de tentar controlar sua concentração no organismo.
MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
AÇÃO Monezi diz que emoções produzem impacto em várias estruturas cardíacas

A boa notícia é que a ciência está descobrindo que, se fazem mal, as emoções também fazem bem ao nosso coração. Diversos estudos demonstram que as boas situações da vida, como a paixão e a alegria, disparam uma cadeia de reações - a exemplo das negativas -, mas com efeitos protetores. Nesses casos, há liberação de substâncias como a serotonina e a dopamina, que, entre outras funções, melhoram a atividade cardíaca e contribuem para regular a pressão arterial. "Além disso, há a fabricação de endorfinas", explica o cardiologista Fernando Bacal, do Instituto do Coração e do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Uma das conseqüências do "banho" de endorfina é a maior proteção do endotélio, o tecido que reveste a parede dos vasos sangüíneos. Tratando-se de saúde cardíaca, isso é fundamental. Quanto mais íntegro o endotélio, menor a chance de acúmulo de placas de gordura nessa superfície. Outra vantagem é que o sistema de defesa do organismo fica mais forte, deixando as estruturas cardíacas menos vulneráveis a infecções. Há mais ganhos. De acordo com um trabalho da Universidade de Ohio (EUA), quando um indivíduo controla melhor sua raiva, cresce a capacidade de o organismo se recuperar de eventuais lesões. A explicação, segundo o cientista Steve Bloom, do Imperial College London, é simples. "O corpo prioriza uma ação por vez. Se você está com raiva e estressado, ele irá primeiro lidar com esses sentimentos, antes de se dedicar a acelerar processos de cura", disse.

Revolução na cardiologia
Informações como essas tornaramse preciosas para a moderna cardiologia e estão provocando uma revolução na maneira de cuidar do coração. "Hoje, temos certeza de que as emoções podem precipitar eventos cardíacos", afirma o cardiologista Valdir Moisés, assessor médico em cardiologia do Fleury Medicina e Saúde, de São Paulo. Baseados nessa constatação, muitos especialistas defendem que é hora de incluir os sentimentos na lista dos fatores de risco oficiais para doenças cardiovasculares. "Já há evidências científicas suficientes para que emoções negativas, especialmente a depressão, sejam assim consideradas", afirmou à ISTOÉ Jesse Stewart, da Indiana University-Purdue University Indianapolis. No Brasil, essa corrente também ganha força. No consultório do médico Costantino Costantini, diretor de um hospital especializado em cardiologia com sede em Curitiba, os doentes também têm suas emoções avaliadas, assim como os dados sobre colesterol e pressão arterial. "Considero que, dependendo de sua natureza, elas são sim fatores de risco", justifica o especialista.

Mudança no tratamento
A forma de tratar o coração também mudou. No receituário, em muitos casos há a indicação de antidepressivos ou ansiolíticos (contra ansiedade). "Receitamos quando é necessário", explica o médico Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia do Hospital do Coração, de São Paulo. Também tornou-se imprescindível o suporte psicológico. Em centros de primeira linha, os serviços de psicologia são cada vez mais atuantes e têm uma missão tão difícil quanto especial. "Ajudamos os pacientes a dar novo significado à vida", explica Maria Elenita Favarato, psicóloga-chefe do serviço de psicologia do Instituto do Coração (InCor).

De fato, o auxílio especializado é fundamental para que o paciente compreenda o processo emocional que contribuiu para levá-lo ao hospital. "O infarto é um jeito agressivo de mostrar que algumas coisas na vida não estão bem. Por isso é importante entender o que está acontecendo", explica o cardiologista Carlos Alberto Pastore, diretor de serviços médicos do InCor. A terapia psicológica ajuda também o paciente a melhorar sua habilidade de lidar com as situações, tentando, por exemplo, evitar a exposição contínua às emoções negativas. E aumentar a capacidade de sentir só o que faz bem ao coração.


Escrito por Abel Duarte às 10h45
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DICA DE LEITURA SOBRE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Minha amiga Edneide nos fez uma visita e deixou o recadinho abaixo. Obrigado pela contribuição, querida!!!

Olá Abel!! Sou a Edineide, lembra??? Não resisti e dei uma espiadinha do seu blog, muito interessante a forma como vc está usando... artigos diversos e com ótimas informações, é isso aí, legal poder estender o nosso conhecimento... Se me permite, tenho uma sugestão de livro: MANUAL DE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL - Autores: Denis Bridoux e Patrick E. Merlevede, Editora Madras, já que o enfoque é trabalhar a Inteligência Emocional, o livro propõe exercícios práticos, vale a pena. Um grande abraço em vc e na Martinha Saudades

Escrito por Abel Duarte às 15h42
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NASCE UM ARTESÃO DE VERSOS

Igor sempre foi um aluno discreto. Simplesmente fazia  o seu dever. Agora, me reaparece provocante, fazendo belos versos.. O poeta escondido se revela. Que a beleza da vida continue a inspirá-lo, com o olhar que só o artesão de palavras consegue ver....  

O POETA

Soldados escrevem sobre guerra, o ilusionista o abstrato, o sociólogo fala sobre a sociedade e o vagabundo faz poesia!

 O poeta escreve uma coisa, nós lemos o que nos convém.

 O poeta é um louco

Ele não domina as palavras, as palavras  o dominam

É como um baralho: se traçar, sai uma poesia!

 Ser poeta não é profissão

Poesia não é  instrumento de trabalho

Ser poeta é um estado de espírito

Poesia é uma forma de expressão.

 



Escrito por Abel Duarte às 10h48
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VISITA ESPECIAL

Recebi esse recado de uma pessoa querida (a vida fez de seu marido meu irmão). O Nandinho referido, é uma criança de apenas 6 anos, mas que já se relaciona de uma forma inteligente com " aquela atrevida". 

segue a mensagem....

Oi Abel! Passo a admira-lo ainda mais; como é gostoso ler o que escreve!!!!Parabéns. Lembro-me da explicação do Nandinho sobre a morte "é quando Deus não aguenta mais de saudade e nos chama para conversar pertinho". Tomara que seja assim!



Escrito por Abel Duarte às 10h05
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 QUANDO É MELHOR MORRER

 Sempre digo em minhas palestras que  Inteligência Existencial (ou Espiritual), é a capacidade de lidar de forma equilibrada com os grandes dilemas da vida. O maior deles é a morte.

 Nosso mestre Rubem Alves fala dela com rara maestria...

 

RUBEM ALVES

"Deixem-me voar..."


Eu, por enquanto, não quero morrer. Já tive medo. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza

DONA CLARA ERA uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas que pena! A vida é tão boa..."
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?" Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade, porque lá a gente fica longe dessa terra tão boa...
Eu, por enquanto, não quero morrer. Já tive medo de morrer. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza.
Mas tenho muito medo DO morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo contra a minha vontade -sem que eu nada possa fazer porque já não sou mais dono de mim mesmo-, solidão -ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte-, medo de que a passagem seja demorada.
A morte deveria ser como os últimos compassos de uma sonata: belos e tristes, até que venha o silêncio. Camus dia que o suicida prepara seu suicídio como uma obra de arte. Seria possível planejar a própria morte, sem suicídio, como uma obra de arte? Mas quem, nos hospitais, se preocupa com a beleza?
Zorba morreu olhando para as montanhas. Uma amiga me disse que quer morrer olhando para o mar. Montanhas e mar: haverá metáforas mais belas para o Grande Mistério?
Mas a medicina não entende.
Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos para que meu pai não sofra?" O médico o olhou com olhar severo e lhe disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?" Impecável o médico, na sua severidade ética e religiosa. Enquanto sua consciência permanecia calma, o velhinho estava mergulhado num abismo de dor.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama, em meio aos fedores de fezes e urina de repente o acontecimento desejado, libertador: seu coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda que assim punha um fim à sua miséria! Aquela parada cardíaca era o último acorde da sonata alegre que fora a sua vida! Mas o médico, movido pelos automatismos éticos costumeiros, apressou-se a cumprir o seu dever: debruçou-se sobre o velhinho morto e o fez viver de novo.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Mas o que é vida? Mais precisamente: o que é vida de um ser humano? Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a chance de sentir alegria ou gozar a beleza o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, no meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, a ouviriam dizer: "Sou um pássaro engaiolado. Abram a porta! Deixem-me voar livre pelos ares!"



Escrito por Abel Duarte às 08h40
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