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:: UMA JANELA PARA A VIDA ::


Morte Também é Poesia.

A maioria das pessoas "morre" de medo de falar sobre a morte. Ora, a morte é de fato a única certeza que temos na vida. Creio que só amadurecemos verdadeiramente quando nos resolvemos com a "Dona Atrevida", que vem quando bem quer, sem pedir licença a ninguém. Afinal, há várias formas de morrer. Morremos um pouco a cada dia, com o tempo que vai morrendo junto conosco.

Pesquei do Blog do Noblat o poema abaixo. Fala de uma forma tão bonita sobre o tema, que ele se torna cheio de beleza... 

Despedidas

Affonso Romano de Sant´Anna 


Começo a olhar as coisas

como quem, se despedindo, se surpreende

com a singularidade

que cada coisa tem

de ser e estar.

Um beija-flor no entardecer desta montanha

a meio metro de mim, tão íntimo,

essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,

a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas

daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas

quanto mais habito a noite!

Nada mais é gratuito, tudo é ritual

Começo a amar as coisas

com o desprendimento que só têm

os que amando tudo o que perderam

já não mentem.


 


Affonso Romano de Sant''Anna, filho de Capitão da Polícia Militar de Belo Horizonte, Jorge Firmino de Sant''Anna e de D. Maria Romano de Sant''Anna, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 27 de março de 1937, mas foi criado em Juiz de Fora, a "Manchester" mineira."



Escrito por Abel Duarte às 11h43
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